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Anticoncepcional pós-parto afeta a amamentação?



Anticoncepcional pós-parto afeta a amamentação?

Veja se o uso de contraceptivo pós-parto pode ou não mudar o volume de leite materno


Um estudo da USP Ribeirão comprova segurança de implante contraceptivo logo após o parto, para as mães e bebês. Implantar contraceptivo que libera o hormônio etonogestrel imediatamente após o parto não altera a quantidade de leite na amamentação.


Essa era a informação que faltava para que a equipe da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, liderada pela professora Carolina Sales Vieira, comprovasse a segurança do método contraceptivo para as mães que necessitam sair da maternidade sem a preocupação de uma gravidez indesejada ainda na amamentação.


O estudo foi conduzido pela pesquisadora Giordana Campos Braga, aluna de doutorado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP orientada pela professora Carolina, com 24 mães e seus recém-nascidos. Os resultados mostraram que a quantidade de leite materno ingerido pelos recém-nascidos foi semelhante nos dois grupos. O peso dos bebês também foi medido ao nascer e após seis semanas do parto. Essa medida também não mostrou nenhuma diferente entre os dois grupos estudados.


O implante de etonogestrel é um método que existe no país há mais de 15 anos e apresenta a menor taxa de falha entre os anticoncepcionais disponíveis no mundo (cinco falhas em cada 10 mil mulheres versus cinco falhas em cada mil mulheres que fizeram laqueadura tubária, que muitos pensam ser o método mais eficaz disponível). Este implante tem a forma de um bastão de 4 centímetros (cm) e é colocado, com anestesia local, abaixo da pele do braço. Ele libera um hormônio chamado etonogestrel por três anos, protegendo contra uma gestação não planejada.


Em estudos anteriores, a equipe já havia mostrado a inserção do implante nas primeiras 48 horas do parto não afetava a saúde materna, a taxa de amamentação exclusiva e o peso dos bebês. Agora, revela, “complementamos estes dados de segurança desta prática, mostrando que o volume de leite ingerido pelo bebê também não se altera se o implante for inserido ainda na maternidade”.


Segundo as pesquisadoras, há estudos que evidenciam aumento de riscos à saúde da mãe e do bebê e até de mortalidade materna e infantil quando o intervalo entre as gestações de uma mulher é menor que 18 meses. Alerta a professora que, no Brasil, a taxa de gestação não planejada é de 54%, segundo dados de 2014 do estudo Nascer no Brasil, coordenado pela Fiocruz.


* Com informações da Agência USP

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