93% de cirurgias bariátricas poderiam ser evitadas



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93% de cirurgias bariátricas poderiam ser evitadas

Estudo inédito aponta fato, que mostra que tratamento clínico e dieta podem ser eficientes

 

Endocrinologista brasileiro desenvolveu protocolo de atendimento não invasivo para combater a obesidade. Em dois anos, 43 pacientes foram submetidos ao tratamento e apenas três precisaram da bariátrica.

 

Um estudo realizado no Brasil foi publicado recentemente na revista BMC Obesity, referência médica reconhecida mundialmente. A pesquisa, coordenada pelo brasileiro médico endocrinologista Flavio Cadegiani, mostrou que 93% de casos de cirurgia bariátrica podem ser evitados caso os pacientes sejam submetidos a um tratamento clínico eficaz e de longo prazo. Este é o primeiro estudo no mundo que aponta a eficácia do tratamento clínico contra obesidade, evitando a indústria da cirurgia bariátrica.

 

No Brasil, a cirurgia bariátrica pode ser realizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, para que o paciente seja submetido ao procedimento são necessárias avaliações clínicas e cirúrgicas, além do acompanhamento de uma equipe médica multidisciplinar por dois anos. Entre 2010 e 2013, por exemplo, houve aumento de 45% no número de cirurgias bariátricas realizadas pelo Sistema Único de Saúde – de 4.489 para 6.493.

 

O método proposto pelo médico endocrinologista Flávio Cadegiani incluiu um grupo de 43 pacientes, acompanhados durante dois anos para chegar aos resultados conclusivos. Ao notar em estudos já divulgados a desvantagem imposta ao tratamento clínico em análises comparativas à cirurgia bariátrica, o médico observou a importância de comprovar a eficiência do tratamento clínico. "Quando analisei como eram os tais tratamentos clínicos apresentados, eles eram sofríveis, para não dizer pior",explica.

 

Segundo o médico, outra questão recorrente observada nos já trabalhos divulgados sobre obesidade é que o fato de que mesmo sendo uma doença multi-fatorial, não se aceita tratamento com medicamentos combinados. "Os estudos nunca avaliaram a concomitância de modalidades não farmacológicas, como psicoterapia e dieta rígida, em associação aos medicamentos. Estuda-se ou um, ou outro, mesmo que a combinação seja hoje mandatária", descreve o endocrinologista.

 

No protocolo de atendimento desenvolvido por Cadegiani todos os pontos que anteriormente comprometiam o tratamento para obesidade foram corrigidos, e assim foi possível evitar a falência da ação dos medicamentos. Entre as ações adotadas no método estava a administração de um tratamento com remédios mais agressivos e a exigência de que os pacientes associassem ao menos duas de três outras modalidades à medicação: dieta, personal trainer e psicoterapia.

 

Um dos pontos fundamentais do processo foi a intensa vigilância sobre os pacientes e a garantia de que o tratamento não chegava ao fim quando o peso final era alcançado. "Invés de parar os remédios de uma vez, nós fomos tirando aos poucos, gradualmente, assim como se faz com qualquer outra doença crônica, e que nunca entendi porque nunca foi feito com obesidade", esclarece.

 

O trabalho sobre os pacientes resultou na perda média superior a 50% do excesso de peso, prevenção de 93% da cirurgia da obesidade e melhora expressiva de todos os parâmetros metabólicos, desde o colesterol até o nível de glicose. Foram observadas melhorias significativas em todos os parâmetros clínicos e metabólicos. Trinta e oito (88,4%) pacientes atingiram 10% de perda de peso corporal e 32 (74,4%) atingiram 20% de perda de peso corporal. Quarenta (93,0%) pacientes foram capazes de evitar a cirurgia bariátrica.

 

O médico reconhece que ainda é um grande desafio tratar o obeso clinicamente: "Mesmo com toda a conscientização, somente 2% dos pacientes com obesidade recebe tratamento farmacológico adequado. As vendas de drogas anti-obesidade nos EUA estão um fracasso; e ainda existe um grande estigma por traz do 'remédio para emagrecer'", enfatiza.

 

Apesar do apresentar uma contra proposta à cirurgia bariátrica, o especialista garante que não é contra o procedimento. "O que não pode acontecer é deixar esta doença e esperar que o pior aconteça – o desenvolvimento de alguma das dezenas de doenças que a obesidade pode trazer", finaliza.

 

 

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